Objecto 2 (Tangerina/Ortanique)
Cheiro: maresia matinal
Livro: A planície em chamas
Personagem: Tácito Alberto, 35 anos, Valência do Minho
No dia 26 de Outubro de 2010 Tácito Alberto decidiu cortar o cabelo rente. Quando acabou o corte passou a mão pela cabeça e sentiu-a lisa.
Objecto 3 (Moldura)
Cheiro: cheiro a ozono libertado nas pistas de carrinhos de choque
Livro: Putas assassinas
Personagem: Constantina Intermitente, 67 anos, Plovdiv
No dia 26 de Outubro de 2010, Constantina Intermitente espreitava a rua da sua janela no 2º andar do prédio quando viu um homem puxando um burro entrar pela porta do prédio. Quis dizer alguma coisa, protestar, mas teve medo e preferiu recolher-se ao interior da casa.
Objecto 4 (Esponja)
Cheiro: Algodão doce
Livro: A Rainha dos Cárceres da Grécia
Personagem: Gracioso Chouriço, idade: 6 anos, Milfontes
Na manhã do dia 26 de Outubro de 2010 Gracioso Chouriço viu as andorinhas reunirem-se nos fios de telefone em grandes bandos. De tarde reparou que já não havia andorinhas em Milfontes e ficou com uma sensação desagradável no peito, uma sensação que não conseguia explicar e que nunca antes se lembrava de ter sentido.
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ResponderEliminarCaro André:
ResponderEliminarOs exercícios estão tão bons, tão bons, que nem consigo ter a certeza de que foram cumpridos - o que é muito bom!. Visto que realizaste a primeira parte do exercício na oficina e (creio) terás ainda assistido aos comentários que fiz, não tenho dúvidas de que compreendeste muito bem os objectivos do exercício.
Entretanto, algumas dúvidas:
No caso da ortanique (tangerina), o ambiente que criaste (maresia matinal, Minho, o nome do homem) inspira um mundo rural que me parece incompatível com um produto de biotecnologia e hipermercados como é esta tangerina. Claro que se eu nada tivesse dito sobre o assunto, todos a teriam visto como uma simples tangerina. Mas como ficámos a saber...
O 3 está soberbo. Como não conheço o conteúdo do livro, só o título me parece destoar. A moldura foi certamente o objecto que mais polémica criou. Ficámos divididos na sua avaliação. A mim parecia-me um objecto barato, pequeno, rasca (e incompleto), mas não convenci metade do auditório.
A esponja serviu para apaziguar o conflito e resolver o estado de confusão que reinava quando saíste. Fiz em voz alta, com a participação de todos, o meu próprio exercício sobre a esponja. O perfil era bem diferente: tratava-se de uma mulher que se limitava a ouvir e ficou um dia fechada em casa de um amigo, quando todos saíram. Mas é verdade que o colorido da esponja pedia mais qualquer coisa.
Ainda bem que não desististe.
(a resposta do André por email - fica assim até ele a publicar pela sua própria mão)
ResponderEliminarBoa tarde Pedro,
Quanto à "questão" tangerina/ortanique tenho que confessar que o facto de ter trabalhado 5 meses na apanha de tangerinas me influenciou bastante, e que não consigo deixar de olhar para esse fruto sem os olhos do apanhador. Se é verdade que as tangerinas são produtos de biotecnologia de ponta, de processos de hibridagem que já vêm de há décadas, o processo de apanha não deixa de ser tão artesanal como há 100 anos(como uma mão agarra-se o fruto e com a outra corta-se rente ao cale com uma tesoura própria, depois mete-se dentro dum cesto de 20Kg , carrega-se e coloca-se em caixas numa balança-cada caixa leva 20 Kg...), e os pomares rurais como sempre.
A parte de associar um livro ao objecto está para mim a ser o mais complicado. Primeiro pensei no Através das laranjeiras, do Blasco Ibañez, depois no Big Sur e as laranjas de Jerónimo Bosh, do Henry Miller, mas pareceu-me uma associação demasiado óbvia. Embora hoje, longe da "pressão" da oficina, me tenha sido muito mais simples todo o exercício.