20/08/11
Trabalhos finais: A Casa Morta, de António Martins
Uma casa devoluta e o seu tapume foi o lugar escolhido por Ana Almaça para um dos passeios pela cidade, onde se realizaram os exercícios. O lugar era de facto inspirador. Entre várias boas ideias que então surgiram, a de António Martins amadureceu logo a li. A sua forma não difere muito daquilo que no local apresentou. A rapidez não é uma qualidade em si, mas foi mesmo assim: depois de se pensar algum tempo, continuava a afirmar-se como o projecto mais "certeiro" para ali.
Respeitava a força do lugar. As alterações que nele produzia não o desvirtuavam nem o enfeitavam. A beleza na arte não decorre de um embelezamento. Neste caso, António Martins, inspira-se num elemento já existente - o texto de um número de telemóvel inscrito - e apoia-se num gesto típico - escrever coisas com tinta em tapumes - para acrescentar um elemento novo: um poema.
Só isto já era suficiente para fazer deste trabalho uma intervenção de grande simplicidade e força. Mas há ainda o conteúdo literário do poema: parte do tema da "cidade morta" - levantado num dos debates preparatórios - e trabalha-o para propor o que parece ser um "final feliz" esperançoso. O poema termina afirmando que a cidade está viva.
Não se trata de uma proclamação gratuita. A casa está abandonada e degradada. Mas por trás do tapume crescem ervas altíssimas e vai-se acumulando o lixo que os passantes para ali atiram. Estranha forma de vida, dirão. Mas é que a vida é uma relação. Neste caso, de uma casa abandonada com o grupo de gente a participar numa oficina, que à frente dela se juntou. Uma cidade assim não pode estar morta.
Mas há mais. Este projecto nasce ao mesmo tempo que um outro de que falarei noutro texto. Naquela rua, junta-se um grupo de crianças ao fim da tarde a brincar. Com elas surgirá um outro momento de vida.
Tudo portanto a negar a morte da cidade. Ninguém que vive poderá ditar a morte da sua cidade, sem que com isso ditasse a sua própria morte. Somos nós que fazemos as nossas cidades. Depende de nós que elas vivam.
A Casa Morta é mais outro belo projecto do FAC SIM 2011.
***
António Martins foi talvez o mais incansável participante da oficina. Dedicado, produtivo (como se verá) e, muito importante, carregado de coisas para dizer aos outros. Além disso, para sorte de todos, o António é uma fonte inesgotável de boa-disposição e humor. Ficámos todos a ganhar em tê-lo connosco.
Revelou grande autonomia e convicção. Levou os seus projectos até ao fim e ainda ajudou os restantes participantes. Vamos gostar de continuar a trabalhar com ele.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Obrigado pelas palavras e incentivo.
ResponderEliminarToda a oficina foi um trabalho colectivo, mostra que a força está na união.
Parabéns a todos!